Mês: março 2017
Protegido: Amizade é para a eternidade
Ouvir
De vez em quando eu gosto de ouvir sobre os problemas dos outros. Não só porque eu posso, quem sabe ajudar, mas também porque esqueço um pouco dos meus problemas, paro de ser tão egoísta e começo a pensar nos outros.
Solidão
Minha vida era: eu e a solidão…
E com o passar do tempo eu e ela ficamos tão amigas
Que não queríamos nos separar uma da outra.
Inez Freitas
Saudade
De vez em quando a saudade bate em nossa porta.
A gente vai lá, abre, cumprimenta, troca umas ideias e depois fecha novamente.
Fecha para que a mesma não deixe de ser saudade e nem vire realidade e depois arrependimento.
Saudade, que muitas vezes nos faz sentir vontade de voltar ao passado.
Saudade que nos faz ter sensação de se estar revivendo bons momentos, que muitas vezes são impossíveis de recuperar.
A saudade traz boas recordações e muitas vezes burradas!
By Inez Freitas.
Crise existencial
Deselegante x Sem noção
Tem gente deselegante e gente sem noção. Eu sou sem noção, mas não todo o tempo. Pago os meus micos, morro de vergonha, mas já aprendi a conviver com eles. Deselegante, nem tento ser, principalmente se não for meu amigo. O que pode ser deselegante pra você, pode ser lindo pra mim, como uma mulher sem maquiagem, que pode ser bela. Um (a) gordo (a), como uma pessoa que conheci em 2011 e hoje tá magra, mas era linda, só que não tenho intimidade suficiente pra dizer isto a ela e não sou deselegante pra tanto.
Lindo é se aceitar e aceitar os outros do jeito que são e deslegante é não aceitar. Agora sem noção pode ser definido assim por mim, que esquece que a pessoa acabou de ganhar bebê e a cumprimenta pela gravidez, que esquece o rosto da pessoa sendo que passou o dia com ela, que não percebe o chefe por perto e começa a reclamar da vida. Pode até ser deselegante, mas as pessoas se divertem comigo, riem de mim e nem me importo.
Portanto tento não ser deselegante, mas tô pensando seriamente a mudar minha postura.
Mas por hora, serei elegante e desejar um bom dia a todos….
O amor acaba. Numa esquina, por exemplo,…
Paulo Mendes Campos: O amor acaba. Numa esquina, por exemplo,…
O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova York; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.



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