Para alguém especial

Por Inez Freitas

Nunca fui de desistir de nada na minha vda. Fosse fácil ou difícil eu corria atrás. Mas pela primeira vez desisti. Desisti de você, aquele cara que conheci há tão pouco tempo e mexeu tanto comigo, aquele cara que acreditei.

Acreditei nas propostas, nos sonhos, enfim em tudo o que me disse. E ainda continuo acreditando porque você tem um futuro brilhante pela frente.
Gostaria de fazer parte deste futuro e poder estar ao seu lado, pois tenho certeza que faríamos uma ótima dupla . Gostamos das mesmas coisas, curtimos rir juntos, e aventuras.

E às vezes tenho a impressão que me olhas com cumplicidade, talvez seja engano meu. Fruto de minha imaginação.

Entretanto, ao seu lado me sinto confusa, adolescente. Não sei o que fazer e nem como agir. Nunca tive medo na minha vida e agora tenho pela primeira vez. Estou me sentindo frágil, como se fosse quebrar a qualquer momento.

Mas, a mesmo tempo ao seu lado me sinto forte, com raciocínio rápido,  querendo ser sua cúmplice e ser somente sua e para sempre e acredito que isto possa ser possível.
Escrevo por ser a melhor forma de me expressar, afinal como diz o ditado: “melhor não dormir com vontade do que arrependida”.  E não quero mais dormir arrependida e sim dizer o que sinto. Eu o amo. Não sei o motivo. Não me pergunte. Só sei que desde que o conheci você não sai de minha cabeça um só minuto.

Então, vamos tentar? Eu acredito que vai dar certo e você?

PS – Este texto foi escrito há cerca de sete meses e eu ainda gosto da pessoa, que não apostou no relacionamento. Sou bipolar e na primeira e outras  crises ele saltou fora.  Não segurou a onda. Enfrentei desafios por ele que jamais pensei que poderia fazer por uma pessoa.  Tive muitas perdas por causa dele e acredito que até de amizades. E daí? A vida continua e eu estou aqui para aprender.

Mas principalmente aprender a perder e quem sabe ganhar.

Mais um dia

Um novo dia, trabalho (o mesmo). Tentando olhar para tudo com novos olhares, com cheiro de coisa nova, tentando deixar para trás os fantasmas, os algozes, as incompreensões. Tentando me entender e entender os outros. Ser bipolar não é fácil, porque antes da admissão de que sou uma, as pessoas me achavam estranha, mal humorada, chata e algumas vezes muito, mas muito engraçada, afinal sou capaz de nos momentos mais sérios ter tiradas incríveis.

E agora? Fico me perguntando como elas irão me olhar, reagir. Deixarei de ser estranha, com características ou uma pessoa normal com patologia? Tem algumas características minhas que tenho certeza jamais serão patologias: a minha capacidades de esquecer rostos e nomes e a memória para eventos, entrevistas e números (neste último caso eu era péssima em matemática).

A minha patologia: a incapacidade de produzir endorfina que me leva a tristeza e beira a depressão. Isto não é nada bom. Eu sofro com isto e quando a pessoa não sabe e tomo atitudes que as machucam, pois sei ser cruel com as palavras, sofro ainda mais, pois não sei expor sentimentos. Sei escreve-los.

Em relação a patologia procurei ajuda profissional e espero que consiga compreender tudo isto, que a dor seja menor desta vez. Em relação as características. Bom estas com certeza jamais irei mudar.

Bipolaridade

Hoje acordei pensando nesse lance de bipolaridade. Mexe com a vida da gente de uma forma que nem imaginamos. Admitir que temos não é fácil, pois o tratamentos é longo e doloroso, dependendo da forma que encaramos. E quando descobrimos que nosso corpo não produz endorfina suficiente para nos mantermos estáveis e que teremos que tomar remédio para o resto da vida pra evitarmos depressões periódicas e equilibrarmos a falta da tal substância ficamos meio que perdidos.
Muitos irão dizer que é frescura, mas somente quem tem pode entender quem tem. É uma batalha diária e dura e requer muita paciência, de quem tem e dos que estão ao lado da pessoa.