Quando flores fazem a diferença

Uma rosa e um botão - uma moça e um rapaz!

Poucas vezes ganhei flores em minha vida. E olhe que sou da máxima que me dê este belo presente da natureza enquanto eu for viva, e de preferência em vaso para que eu possa plantar, afinal depois de morta não poderei admirar a beleza de ter sido presenteada com tão belo mimo?  Só tenho a lembrança de duas vezes que ganhei flores e que jamais esqueci.

A primeira, aos 14 anos, quando minha vizinha, dona Délia, tinha um jardim lindo e eu ficava cobiçando suas rosas e ela se recusava a me dar. Dizia que flores eram para ficar no pé e ser admiradas e ela tinha razão, mas eu não admitia na época. Neste ano, em meu aniversário, ao chegar da escola, dona Délia estava a minha espera na porta de minha casa e sem dar os parabéns, apenas disse séria: tem uma moça e um rapaz te esperando no quarto.

Não conhecia nenhuma moça ou rapaz. Achei estranho, mas corri para lá, abri a porta e nada vi, mas ao deitar os olhos sobre a cama vi um botão e uma rosa, que eram o rapaz e a moça (detalhe: era da cor rosa).

Neste dia chorei. Abracei, beijei e chorei aquela que já considerava como uma mãe. Três anos depois, em meu aniversário, a ajudei enterrar sua única filha, que era minha amiga e também como irmã. Em seu caixão, coloquei o botão e a rosa, já secos, que havia sido presenteada anos atrás.

Quando  fiz 15 anos, ganhei as outras flores. Presente de meu pai. Ele querendo fazer surpresa mandou-me a feira, distante de casa uns 10 quilômetros. Fui a pé, comprei o que pediu, ao retornar em casa meu pai disse que a compra estava errada e que era para voltar e refazer a compra. Assim fiz, no  final foram 40 quilômetros, mas ao abrir a porta do quarto, lá estavam as mais belas flores vermelhas que já havia visto. Talvez em sua sabedoria meu pai já que quisesse mostrar o valor das coisas me fazendo andar tanto.

E hoje ganhei, pela terceira vez, flores que jamais esquecerei. Durante à tarde recebi uma ligação, perguntando onde eu estava, uma vez que tinham uma coisa para me entregar de uma pessoa que pouco convivi e aprendi a admirar. Respondi que estava indo ao banco e que poderia ser encontrada lá.

Estava tão mergulhada em meus problemas da semana, em meus conflitos pessoais, profissionais e sentimentais de filha que nem me questionei o que poderia ser. Pensei apenas: poderia ser dinheiro, pois estou ferrada.

Enfim, já na agência bancária, após passar por duas, e bater boca com uma gerente que ao dar meio-dia não queria me atender, como havia ocorrido no dia anterior porque a ‘bonita ‘ tinha que ia almoçar e já estressada literalmente mandei que ela sentasse a bunda na cadeira, uma vez que ela iria me atender sim, estava sendo paga por aquilo, não era funcionária pública.

Ainda disse a ela que todo o mal de funcionário público e de empregados como ela era a preguiça e má vontade em informar. Se não fosse isto, pessoas como eu não estariam ferradas.

E olhe que sou funcionária pública, mas sempre trabalhei com a cabeça de alguém que trabalha em empresa privada. Confesso que tive meus deslizes, mas que eu tenha conhecimento, ninguém jamais foi prejudicado como eu havia sido nos últimos dias.

Sentada ali e esperando ser atendida comecei a jogar no meu celular, afinal o tempo tinha que passar e não havia levado meu ‘note’ para ficar matando o senhor tempo que muitas vezes é nosso aliado ou inimigo, depende de que lado da moeda você está. No momento ele era meu inimigo.

Foi quando senti uma sombra sobre mim, olhei para cima e vi o senhor Nascimento com um vaso de flores todo delicado, perguntado se eu era a Inez, respondi que sim.  Ele me entregou o pequeno vaso, esperou que eu abrisse o envelope que estava junto. Li, sorri e agradeci. Naquele momento vi os seus  olhos brilharem.

Quando o senhor Nascimento partiu, foi como se o tempo tivesse parado naquela agência bancária. Não havia mais ninguém. Apenas eu, relendo o cartão. Então, não sei se pelo peso dos problemas enfrentados durante a semana ou se pela delicadeza da lembrança e  atenção, eu chorei.

Fazia tempo que não chorava daquele jeito, com sentimento de que eu era importante para poucos, que passei pouco tempo com eles, mas neste curto período, eu havia cativado aqueles com quem havia trabalhado e que eles não haviam lido o livro pela capa e nem dado atenção aos boatos, fofocas e falatórios sobre a minha pessoa.

Não liguei para agradecer. Não foi ingratidão. Preferi  escrever, expor em meu blog algo que sempre foi tabu para mim: flores – porque elas fazem a diferença e para a minha pessoa sempre fizeram. E outra coisa, tenho dificuldade de lidar com sentimentos. Sou péssima. Mas isto  é uma outra história.

Sim, recebi flores em outras ocasiões, mas não tiveram o mesmo significado. As de hoje estavam acompanhadas destas palavras : “ Essa é uma pequena lembrança de nossa equipe à jornalista competente e dedicada ‘Inez’quecível… Muito obrigada pela colaboração, eficiência e dedicação. Sucesso sempre!”

Pois é, flores fazem a diferença, principalmente quando presenteadas no momento certo, com as palavras certas, sem muitos floreios, apenas com um pequeno detalhe e este sim demonstra que em pouco tempo aprenderam a me conhecer.  Obrigada a esta equipe que tornou o meu dia melhor e o fardo mais leve.

Palmas, 25.02.2011

Inez Freitas

L.A Cereja foi a minha libertação

Por Inez Freitas

Meses se passaram e eu pensei que a dor jamais passaria e que a imagem de teu sorriso, de teus olhos brilhando, de tua boca projetando promessas jamais esqueceria.  Mas como sempre digo há dores que só o tempo pode curar, mas que jamais serão esquecidas.

Jamais esquecerei cada minuto passado ao teu lado, cada palavra dita por ti, das risadas, do soneto declamado no momento mais inesperado, do presente dado e que nem era pra mim, mas para uma antiga namorada e que sim eu devolvi, pois não era para mim, só percebi com o tempo. Jamais esquecerei que não soubestes entender quando eu estava brincando e nem mesmo quando eu estava a falar sério.

Entretanto, uma coisa eu posso dizer, o tempo curou a dor e só fui descobrir isto ao comprar o cigarro que sempre fumávamos juntos – L.A Cereja. Na hora senti receio em comprar e sentir a dor voltar, lembrar de tudo e não poder suportar. Mas eu consegui e me senti livre.

Enfim, livre para seguir em frente  para tentar ser feliz ao lado de outra pessoa, porque ela estava ali ao meu lado e eu não queria enxergar. Se vai dar certo ou não. Isto é outra história.

E quem diz que cigarro faz mal à saúde, neste caso fez bem e muito bem.

Em tempo voltei a fumar depois de 45 dias parada e por causa do bendito L.A Cereja.

Qualquer dia destes, eu paro de novo, mas por enquanto tá valendo a pena, porque foi a minha libertação de uma dor maior, que não me deixava sorrir e nem olhar para os lados e ver o quanto as pessoas são importantes para mim.

 

Como esquecer um amor??

Este texto achei na revista Andros, achei o máximo porque nela diz: “Uma revista sobre homens, feita por homens, para mulheres.”

“Não aconselhável para mulheres sensíveis!”


Como esquecer um amor??

Oh, coisa insuportável é esta maldita dor de cotovelo que sentimos quando levamos um chute de um grande amor, não é?

E foi pensando nos males destas situações que resolvi escrever esta matéria, para ajuda-la a nunca mais passar noites em claro, escutando estas porcarias de músicas românticas, chorando feito uma alucinada, pedindo para ele voltar:

“Volta astolfo,que desta vez eu me comporto!!!!” Arre! Que deprimente!!

Para começar, é bom jogar todas as fotografias fora – principalmente aquelas em que os dois estão na praia, fazendo carinha de apaixonados, dividindo o mesmo espetinho de camarão… Caso contrário, ao folhear o velho álbum de fotografias da família, vai acabar dando de cara com a foto do casal de pombinhos bem ali, entre as fotos do batizado e do seu tio bêbado, dentro do Fusca azul-calcinha, comemorando a Copa de 70.

Quando se sentir solitária e bater aquela saudade – sempre carregada com aquele tesãozinho que pinta na hora de dormir – antes de pegar o telefone e aceitar o convite que ele fez para darem um picote no banco de trás do caro, experiemente bater uma punhetinha para ver como 80% da vontade desaparece.

E também some o desejo de se ferrar pela milésima vez, pois você sabe muito bem como é foda ir pra cama com ele, dar aquele picote com o coraçãozinho cheio de esperanças, e acabar tendo que engolir que nada mudou, porque ele não está preparado para nada sério, que só te quer para dar uma aliviada de vez em quando. Ops! Passou um filme na sua mente, foi?

E é muito importante tirar aquela aura de “maravilhoso” do carinha!

Mulher apaixonada é mulher iludida, então acabe de vez com estas ilusões.Ficar achando que ele é muito bom, o melhor homem do mundo e outras babaquices, só serve para mante-la mais enfeitiçada e presa à ele.

Tem mais é que pensar nele sentado em uma privada, com um rôlo de papel higiênico nas mãos, fazendo aquela cara de sofrimento, com as veias da testa quase explodindo! Vamos lá, tente fazer isso para ver como ele deixa de ser um semideus, para se tornar um simples mortal, nem melhor e nem pior que os outros homens.

A maioria das pessoas continua apaixonada pelo o que a outra pessoa era, e não pelo o que ela se tornou!

Então dê uma boa olhada no seu morzão, perceba que ele não é mais aquele gatinho manhoso e atencioso do tempo em que se conheceram. Se reparar bem, verá que o que te prende a ele é o passado e não o presente. Não acredita? Então vamos fazer um teste para tirarmos a dúvida?

Pense neste seu grande amor, e me responda: Qual é primeira imagem que surge em sua mente? Aposto que é uma imagem bem antiga, do tempo em que achava que ele era o homem da sua vida. Continue pensando e vai chegar em um ponto em que as coisas começaram a ficar mais duras entre vocês. Neste ponto, você vai perceber uma angústia e, inconscientemente, vai se ver com vontade de esquecer e voltar a pensar apenas nos momentos bons. Viu como você gosta de se iludir?? E isso é natural, pois a paixão nos faz pensar no que o outro tem de bom e esquecer o lado ruim…E assim você pode continuar a idolatra-lo, pois deseja isso!

Mas é tudo falso,acredite! Você ama um homem que há muito tempo deixou de existir na sua vida. Sim, se fosse este homem de agora que tivesse aparecido na sua vida, duvido que teria se apaixonado por ele.

Tire da cabeça toda idéia de se manter casta!

Você não precisa deixar de provar o sabor de outras frutas só porque uma caiu do pé e apodreceu. Além do mais, pode apostar que ele não vai deixar de dar umas bimbadinhas só porque você resolveu que nunca mais vai gemer debaixo de outro homem.

Pelo menos nos primeiros dias depois da separação evite usar coisas que fazem com que se lembre dele!

Se todas as vezes que olha para uma salada de pepinos você começa a chorar, lembrando dos momentos que viveu ao lado daquele “macho bem dotado”, proíba sua mãe de comprar qualquer coisa que desperte esta sua nostalgia, como lingüiça, salsichão etc. Jogue no lixo todos os Cds da Alanis Morissete e da supra-sumo da depressão, Celine Dion, pois o que menos precisa é fundo musical para curtir fossa.

Também evite assistir filmes ultra-românticos, como Titanic, O Morro dos Ventos Uivantes , Ghost ou Sabrina! Troque por filmes do tipo “muito anabolisante e pouco cérebro” como Rambo, Exterminador do Futuro e toda a “grande obra” do Van Diesel, com direito a muita pancadaria e pouca conversa fiada!

E quando pintar aquela vontade de sair correndo atrás do morzão, parar na frente do prédio dele e começar a gritar “Duda, eu te amo!!!!”(oh, coisa deprimente, meu Deus!), ligue para sua melhor amiga e peça para te trancar no banheiro, e só abrir a porta quando passar a crise de abstinência amorosa. Claro, se armar barraco já é muita pobreza para aturar, fazer uma cena patética, implorando por amor, na frente da casa do benzão, já é coisa de quem precisa de umas boas palmadas na bunda.

Não freqüente os mesmos lugares que ele, e nem fique amiguinha da irmã ou da sua ex-futura-sogra.

Além de ser uma demonstração de falta de respeito próprio, pode acabar criando um clima muito pesado, fazendo com que ele (com todo direito) se sinta invadido em sua privacidade por uma chata que não consegue entender que acabou!! Sem contar que, só de pirraça, é bem capaz dele levar umas gatinhas para conhecer seu quarto, bem na hora que estiver chorando as pitangas nos ombros da ex-sogrona! E aí segura o coração, porque escutar a cama rangendo e saber que não é com você, é o que podemos chamar de sofrimento inútil!

Aprenda a usar o pensamento conflitante para afastar este homem de seu coração

Em vez de pensar: “Nossa, ninguém sabe como acariciar meus seios como o Carlão”, use um pensamento antagônico como “Só que aquela besta nunca foi capaz de encontrar meu clitóris!!”

Mas, se ele era bom de cama e nunca precisava de uma mãozinha nem na hora de achar o buraco, então mude para coisas mais pessoais como: “Ele era ótimo de cama, mas tava sempre com a cueca suja!!!

Nunca vá em cartomantes ou videntes depois do chute na bunda!

Este pessoal tem um faro impressionante para descobrir as fraquezas de mulheres abandonadas (e burras). Então, para ferrar de vez com a situação, você vai ouvir que “ele ainda te ama”, que vão se casar e ter um monte de filhos.

No fim vai acabar saindo mais iludida do que entrou, cheia de esperanças inúteis, além de ter que fazer horas extras para pagar um “trabaio bom para amarrar homem”!

Depois não adianta ficar com vergonha de lembrar que foi capaz de ir a uma encruzilhada, bem no meio do cemitério, para jogar açúcar na cueca dele, fumar charuto e beber “Sidra Cereser”!

Aliás, fazer macumba pra prender macho é o último degrau na falta de vergonha na cara que uma mulher pode descer!!


Amores que nos deixam

Atendendo a leitora Jokasta Madeira que pediu para poetizar amores que nos deixa. Espero que goste Jojo

Por Inez Freitas

Ah esta minha insatisfação
Esta obsessão por algo
Que não sei o que é
Mas  incomoda

E um tal de entender
Porque eles chegam
E logo vão embora
Estes amores que nos deixam

É um sabor amargo
De não ter a resposta
Que traz ao meu corpo
Uma dor incerta,

Não sabe onde doer
Se é na alma ou coração
É triste alguém encontrarmos
E sorrir achando que é a hora

Mas logo em seguida
O amor mais uma vez
Se despede e nos deixa
E  a solidão se mistura à saudade

E meu coração
Sempre na angustia
De ter uma companhia
Que sei –  jamais terei

Pois meus amores
Sempre me deixam
Explicações  não dão
E deixam um coração
Puro, sincero e ávido
Por um sentimento
Chamado de amor.

Sentir-se amando

Por Marta Medeiros

O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.

Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.

Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?

Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. “Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho”.

Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. “Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato.”

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.

Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.

Martha Medeiros.

 

Olho Nú

Por Samuel Lima


Por Samuel Lima
Não uso óculos escuros.
Quero deixar expostas as
olheiras de noites bem ou
mal dormidas.
Deixar expostas as ramelas
da insônia que clama pela
consciência da madrugada.
Não preciso enegrecer a
vista para escoimar a
realidade; quero a luz
cegante irrompendo retina
adentro, e acordando a alma.

O jornalista Samuel nos enviou este poema e como este é espaço é de todos. Obrigada meu amigo querido.

Amor perdido

Por Inez Freitas

Ao vê-lo pela primeira vez
Ela sentiu seu coração disparar
E ele quase a sair pela boca
Logo pensou: Não tenho salvação

Com seus olhos faceiros,
Disfarçadamente, a menina
Não parava de fitá-lo
E com o coração em festa o admirava

A boca sensual do rapaz
Mostrava os dentes alvos
Resplandeciam com o sorriso
Cativante que a conquistara

Agir, a  menina não sabia como
De que forma  chegar no lindo rapaz
Era sua primeira paixão, amor
Depois de tanto tempo sozinha

A final  para ela o amor
quando chega encanta
Paira em nosso coração
E sorri  o riso dos apaixonados
E chora o choro dos enamorados

A menina, então, criou coragem
E junto a ele chegou
Qual não foi sua decepção
Ao ouvir apenas uma frase

Seu sonhos caíram por terra
E  ela chorou ao ouvir:
Somos apenas bons amigos
Sozinho estou e desejo ficar
Tu não és o amor que tanto sonhei

E a menina no desespero da perda, da dor
E sentindo na solidão, o conflito e aflição
Em sua tristeza e depressão
Os pulsos cortou e não sobreviveu

Para outro amor encontrar
E uma paixão cálida de amor viver.

Dando a volta por cima

Hoje atendo ao pedido de uma pessoa muito especial, que tem me ajudado em me crescimento e mesmo de longe me dando forças dedico este poema a ela. O poema não é somente para ela, mas todas as mulheres, assim como nós duas, que em algum momento precisou dar a volta por cima ou ainda continua tentando.

Por Inez Freitas

Após tanta dedicação
Amor e comprensão
Levastes um não
Depois de anos
Meses,semanas e dias

Ouvistes que era
Boa demais, que
A relação estava
Desgastando-se

E na hora sentistes
Fraca frente
À Dificuldade
Sentistes frágil

E o coração em frangalhos
Parecia não resistir
Olhavas pro lado
E respostas não achava

Frustração era seu maior
Sentimento, além de perda
Entretanto, no meio de tanta
Confusão sentimental

Veio a maior descoberta
A sua capacidade de reagir
Passados os  momentos
De impotência e raiva

Percebestes que eras forte
O suficiente para superar,
Pois  todos tem O direito
De fazer as suas escolhas

Enxergastes tua capacidade
Conseguistes entender os seus limites.
Percebestes que, após uma derrota,
Sempre há novas oportunidades.

Aceitastes que viver é sempre frustrante.
E assim destes a volta por cima
E és maravilhosa e que podes
Compartilhar a experiência difícil
Com quem esteja na mesma situação
Para que a outra pessoa
Possa dar a volta por cima também

Atrás de estrelas

Além de nossa homenageada de hoje Ohanna nos brindou com sua criatividade.

Por Ohana Patiele

Era princesa e estava ficando velha. Não tinha mais escapatória, tinha que casar!
Então fizeram o baile. Entre o guerreiro bonitão que já havia namorado todas e o príncipe perfeito que só sabia falar de si mesmo, preferia a masmorra. Ela de vestido de bolo de aniversário, via o povo dançar alegremente e os jovens tentando lhe chamar a atenção. Tédio!
Resolveu sumir. Saiu à francesa e sentou no jardim. No meio da escuridão conseguiu enxergá-lo. Ele sentou do seu lado e conversou sobre as flores até elas murcharem. Sem perguntar nada, achou um lugar no colo dela e decidiu ficar ali.
Cantaram desafinadamente, dançaram sem música, trocaram segredos e ela gostou. Gostou não sei do que, mas sabia que aquele era o melhor.
Devia ser o jeito de dizer que gostava sem dizer nada, ou aquele jeito tímido de fazer travessuras ou porque não haviam máscaras.
Ou devia ser o tal do All Star azul que não combinava com a roupa.
Talvez porque a deixava sem fôlego cada vez que interrompia suas falas com beijos cheios de promessas.
Ninguém sabe, ninguém os viu mais. Dizem que foram atrás de estrelas.

O falso bonzinho

O poema atende ao pedido de uma pessoa  que pediu para não revelar o nome.  A í está, de acordo com as descrições repassadas por ela. Espero que goste.

Por Inez Freitas

Ele chega e te encanta
Fala palavras que deseja ouvir
Sempre cordial
É um anjo à primeira vista

Estabelece boas relações
E com elas jamais  brigar
Mas não se engane
É simulação da falsa bondade

Na realidade seu objetivo quer alcançar
E as defesas femininas destruir
Don Juan de Moliére
Exemplo clássico do falso bonzinho

As suas presas ao conquistar De lado as largava
Comprovando que falso bonzinho
Não tem época nem lugar

O falso bonzinho
Preocupa-se só consigo mesmo
Ganha sua  confiança
E jamais se envolve

Então, cuidado
Porque ao seu lado
Pode ele estar
Pronto para te valorizar
E depois largar.

A menina e o contador de “causos”

Atendendo ao pedido da leitora Joelza postamos sua crônica. Aqui os espaço é aberto. Se tiver alguma. Mande a sua também.

Por  Joelza Oliveira

Estava ela com a idade de cinco anos, quando começou a entender os acontecimentos que envolviam a aura misteriosa do vilarejo onde fora morar, desde o seu primeiro dia de vida. Lá, nas noites em que a luz da lua permitia, ouvia de um certo morador misterioso, conhecido apenas por Sargento Venâncio, a narração de alguns episódios, que por conta de sua inocência, guardava como verdades quase absolutas. Enquanto ouvia os “causos” imaginava os cenários, aonde ora vinha à sua mente, lobisomens perseguindo caçadores, que também eram seus vizinhos; ora outros vizinhos que em outros “causos” eram os próprios lobisomens; ora vizinhas, que na sua imaginação poderiam ser algumas das famigeradas matintas pereiras locais, que segundo os moradores, circulavam todas as santas madrugadas no povoado

Mesmo sendo uma menina, não tinha paciência com bonecas, e seu brinquedo favorito, nada mais era que uma pequena varinha de pescar. Quando sumia sem explicação, seus pais já sabiam onde a garota poderia ser encontrada: ou às margens do rio Piriá, ou na casa da índia Maria Gaia, que mesmo sendo de idade avançada, era com quem passava horas conversando sobre lendas amazônicas, a maioria delas, sobre os próprios ancestrais da amiga, ou ainda comendo lapial assado, peixe muito apreciado pelos indígenas que moravam nas redondezas no povoado, ou ainda aprendendo a fazer tipiti. Mas, na maioria do tempo, ou quase sempre, a menina ficava no sítio do contador de estórias sargento Venâncio, que apesar de aparentar ter uns 60 anos, sua idade era apenas mais uma incógnita, sobre ele.

No pequeno povoado de nome Japiim, cercada por uma imensidão de matas e rios, circulavam vários comentários, dando conta que o misterioso Venâncio teria ficado perturbado do juízo, por causa de choques elétricos, motivados por uma desobediência na época que servia ao exército, na capital do Estado do Pará.

Lugar de muitas estórias, nem mesmo as que Sargento Venâncio contava, era mais comentadas que aquelas, sobre a vida do próprio contador de “causos”, um enigma para todos, pois da vida dele, pouco se sabia, já que ninguém tinha coragem de entrar no sítio para verificar a veracidade de suas estórias, que tinham como cenário sua própria cabana. A menina sabia de quase tudo, a respeito de Venâncio, pois era destemida suficiente para ter tido coragem de entrar lá, por diversas vezes. Numa dessas vezes, fora mordida por um dos seus doze ferozes cães. Isso acontecera no inicio da amizade, pois depois os cães também se tornaram amigos da pequena menina.

Entre as centenas de estórias contadas à menina, numa delas, Venâncio dizia que tinha uma filha juíza e um filho médico, que segundo ele, moravam na capital. Para a menina, ele era meio “aluado”, mas sobre algumas coisas, ela tinha certeza que ele falava a verdade. Uma delas, por exemplo, tratava-se da criação de cobras, mucuras e lagartos, que faziam parte do seu cardápio e que ela já havia presenciado por várias vezes, os répteis e marsupiais sendo assados.

Além da fértil imaginação de Venâncio, ele tinha uma estranha e inexplicável mania de erguer construções de madeira com paredes de barro, nos mais diversos sítios que ele possui na localidade. Foi graças a esta mania que a fama de louco havia se espalhado por todo o município de Viseu. Alguns desses “prédios” tinham dois andares, sem nenhuma escada ou qualquer outro elo entre os pavimentos. Só ele conseguia passar do primeiro para o segundo andar, com a ajuda de uma espécie de andaime que ele carregava consigo, sempre que saia para visitar as construções, onde ficava uma semana em uma, uma semana em outra…

A menina bem que tentava convencer as pessoas da vila, dizendo que Venâncio não era louco, e sim criativo, mas ninguém acreditava nisso, apenas ela mesma. Ela muito tentou ajudar nesse sentido, mas a ela não davam ouvidos, em função de sua pouca idade. Alguns diziam que a criança também não era bem certa, pois para eles, quem fosse certo das idéias não acreditaria no amalucado contador de “causos”. Os pais da corajosa criança já haviam desistido de pedir para que a filha mantivesse certa distância do amigo.

O mais curioso é que mesmo sem credibilidade, ele sempre estava cercado muita de gente, que ouviam suas peripécias, onde ele mesmo era o personagem principal e de onde sempre saía vencedor, fosse nas lutas contra lobisomem, mulas-sem-cabeça, ou nas brigas com sucuris gigantes dos imensos rios da região. E a menina, no alto dos seus de 8 anos, começou a registrar em um caderninho, tudo que ia ouvindo.

Quando completou 10 anos, a menina teve que ir morar em uma cidade relativamente distante, para continuar seus estudos. No dia da sua viagem, seu amigo não se encontrava na vila, tinha ido caçar, e certamente voltaria com um novo estoque de “causos”. Ou talvez nem mesmo tivesse ido, mas na cabana ele não estava, a menina já tinha se certificado. Poderia muito bem ter se afastado de todos, pensara ela, já era sabedora de que em algumas vezes, ele já tinha feito isso: enfurnava-se em um dos seus sítios, para maquinar em sua mente, novas narrativas. Ela, como se estivesse prevendo algo, chorou copiosamente; parece que adivinhara que não reencontraria mais, seu grande amigo, pois mesmo com as notícias que vez ou outra recebia, por vários anos após ter ido embora, por idas e vindas da vida, o reencontro jamais acontecera.  A última notícia que ela teve sobre ele, foi justamente uma que informava que Venâncio estava tratando de um ferimento grave em um dos seus membros inferiores.

Anos depois, justamente em um dia muito especial, da vida da menina, agora com vinte e poucos anos, e morando em outro estado, ficara sabendo que ele teria morrido em um hospital de Belém, por complicações vasculares, causadas por uma trombose, em função de picada de uma de suas cobras de estimação.

No dia do velório, em meio a comoção com a notícia da morte de sargento Venâncio, notícia essa que havia se espalhado de uma ponta a outra do enorme município, dois desconhecidos adentraram o velório, que estava ocorrendo na igrejinha da comunidade. Seriam eles: juíza Telma Venâncio, e o médico Jeová Venâncio, os filhos que ele dizia ter e que ninguém acreditava. Assim, a população entendera que o misterioso sargento Venâncio não era assim tão lúcido, embora a menina não o considerasse totalmente certo, nem totalmente louco; nem tão mentiroso, como todos o julgavam. O fato é que até hoje lá “praquelas” bandas, ele jamais caiu em esquecimento. Na verdade, ele, assim como a índia Maria Gaia, passou a fazer parte do imaginário popular da pequena vila Japiim, pertencente ao município de Viseu, localizado no nordeste do Pará.

Quanto à menina, que àquela altura não era mais tão menina assim, não foi possível se despedir de amigo, pois sua formatura seria naquele mesmo dia, em um estado vizinho ao seu estado de origem, mas em memória do contador de “causos”, no íntimo do seu coração, ela dedicou sua conquista, nada mais justo, afinal de contas, foi por causa das narrativas de sargento Venâncio, que ela havia pegado gosto por escrever.