FIM – O Eco do Semáforo

Ao olhar pelo retrovisor enquanto deixava a cidade para trás, Nuray lembrou daquele dia. A imagem do SUV, do batom vermelho e daquele estranho que a chamou de linda no meio do caos de um casamento falido. Tudo aquilo parecia pertencer a outra vida. Mas a sensação era a mesma: a de que a vida pode mudar em um sinal vermelho.

Naquele dia longínquo, ela aprendeu que sua beleza e seu valor não dependiam do olhar de um marido ausente ou das crises no trabalho. O estranho no carro ao lado viu o que ela mesma havia esquecido sob as camadas de responsabilidade e retidão. O estranho viu a protagonista.

Possibilidades 

A vida é feita desses ciclos. Se o destino foi capaz de colocar o homem mais lindo que ela já vira ao seu lado em um semáforo comum, quem poderia dizer que o “rio” não prepararia algo semelhante no futuro?

A possibilidade de se amarem novamente — seja com Repha, em uma versão curada pela dor, ou com uma nova presença que surja do nada como aquele rapaz do sinal — permanece viva. Nuray é uma fortaleza, mas toda fortaleza tem portões. O encontro no semáforo ensinou a ela que o inesperado é a única coisa com que se pode contar.

Hoje, ela partia com o luto de Atiye, mas levava consigo a memória daquela gargalhada espontânea que o estranho lhe arrancou. Ela sabe que, em algum lugar do mundo, em algum cruzamento de caminhos, haverá outro sinal vermelho. E, dessa vez, talvez ela não faça um trajeto diferente. Talvez, banhada pela liberdade que a dor lhe trouxe, ela decida seguir o carro ao lado, talvez cm um estranho lindo.

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