Segredos

Este poema atende ao cantor Filipe Labret, que me pediu para falar de segredos. Tema difícil, afinal segredos todos temos e geralmente dizemos que não, mas como sei que ele pediu pensando em uma amiga, eis o que saiu. Espero que goste Filipe

Por Inez Freitas
De um coração partido
Murcho e quase sem vida
No rosto entristecido
Somente lágrimas e dor

De segredos escondidos
Segredos que não
Podem ser descobertos
Não se recomenda
Segredos causam dor

Seja ao revelador
Ou ao revelado
Segredos são armas
Jóias raras que muitos
Não sabem valorizar

Quem guarda segredos
Vive a sobressaltos
E sem querer diz
Ops… escapou!

Quem dera fosse assim
Não escapou, é somente
A vontade de dizer ao mundo
Aqui está um pobre coração

Louco pra dizer
Quero contar um segredo
E tenho medo, receio
Te contar um segredo
Que acalmará minha alma

Segredo que poderá
Roubar um sorriso
Dos meus ou dos teus lábios
Ou então o choro de alguém

Eu te amo
Sempre amarei
Ao seu lado
Sempre estarei
Este é o segredo
E nunca revelarei

Amor platônico

O poema atende aos leitores Fernanda Capelesso e Eduardo Ribeiro, que sempre nos acompanha no twitter. Espero ter correspondido a expectativa deles. E também atende a um recente desejo meu de falar sobre o tema.

Por Inez Freitas

Teus belos olhos castanhos
Teus lábios que sonho em beijar
Teus cabelos em acariciar
Teu corpo no meu se encontrar
Você  menino (a)
Com quem desejo estar
Você que sempre
De longe  admiro

Nem imagina que existo
Nem sonha
Os sentimentos que por ti tenho
Você que é o objeto do meu amor
Você perfeito, cheio de qualidades
E  sem máculas.
E que a foto carrego em minha bolsa
Confesso é um amor à distância,
Que não deixa que eu me aproxime

Que te toque, que te envolva
São apenas  fantasias minhas
Idealização de um amor puro
É  a fuga da minha realidade
Querer-te,  idealizar-te
E assim o tempo corre
E  vou da loucura à fantasia
Mas seria loucura querer-te?

Apenas por um dia?
Por algumas horas sair da fantasia
E este amor platônico
Virar realidade?
E de ser a única em seu coração?
Mas não me olhas
E este amor não tem cura.
Com o tempo piora.
Pois nunca terei coragem
De a você me declarar

Sentir-se amando

Por Marta Medeiros

O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.

Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.

Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?

Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. “Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho”.

Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. “Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato.”

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.

Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.

Martha Medeiros.

 

Olho Nú

Por Samuel Lima


Por Samuel Lima
Não uso óculos escuros.
Quero deixar expostas as
olheiras de noites bem ou
mal dormidas.
Deixar expostas as ramelas
da insônia que clama pela
consciência da madrugada.
Não preciso enegrecer a
vista para escoimar a
realidade; quero a luz
cegante irrompendo retina
adentro, e acordando a alma.

O jornalista Samuel nos enviou este poema e como este é espaço é de todos. Obrigada meu amigo querido.

Amor perdido

Por Inez Freitas

Ao vê-lo pela primeira vez
Ela sentiu seu coração disparar
E ele quase a sair pela boca
Logo pensou: Não tenho salvação

Com seus olhos faceiros,
Disfarçadamente, a menina
Não parava de fitá-lo
E com o coração em festa o admirava

A boca sensual do rapaz
Mostrava os dentes alvos
Resplandeciam com o sorriso
Cativante que a conquistara

Agir, a  menina não sabia como
De que forma  chegar no lindo rapaz
Era sua primeira paixão, amor
Depois de tanto tempo sozinha

A final  para ela o amor
quando chega encanta
Paira em nosso coração
E sorri  o riso dos apaixonados
E chora o choro dos enamorados

A menina, então, criou coragem
E junto a ele chegou
Qual não foi sua decepção
Ao ouvir apenas uma frase

Seu sonhos caíram por terra
E  ela chorou ao ouvir:
Somos apenas bons amigos
Sozinho estou e desejo ficar
Tu não és o amor que tanto sonhei

E a menina no desespero da perda, da dor
E sentindo na solidão, o conflito e aflição
Em sua tristeza e depressão
Os pulsos cortou e não sobreviveu

Para outro amor encontrar
E uma paixão cálida de amor viver.

Dando a volta por cima

Hoje atendo ao pedido de uma pessoa muito especial, que tem me ajudado em me crescimento e mesmo de longe me dando forças dedico este poema a ela. O poema não é somente para ela, mas todas as mulheres, assim como nós duas, que em algum momento precisou dar a volta por cima ou ainda continua tentando.

Por Inez Freitas

Após tanta dedicação
Amor e comprensão
Levastes um não
Depois de anos
Meses,semanas e dias

Ouvistes que era
Boa demais, que
A relação estava
Desgastando-se

E na hora sentistes
Fraca frente
À Dificuldade
Sentistes frágil

E o coração em frangalhos
Parecia não resistir
Olhavas pro lado
E respostas não achava

Frustração era seu maior
Sentimento, além de perda
Entretanto, no meio de tanta
Confusão sentimental

Veio a maior descoberta
A sua capacidade de reagir
Passados os  momentos
De impotência e raiva

Percebestes que eras forte
O suficiente para superar,
Pois  todos tem O direito
De fazer as suas escolhas

Enxergastes tua capacidade
Conseguistes entender os seus limites.
Percebestes que, após uma derrota,
Sempre há novas oportunidades.

Aceitastes que viver é sempre frustrante.
E assim destes a volta por cima
E és maravilhosa e que podes
Compartilhar a experiência difícil
Com quem esteja na mesma situação
Para que a outra pessoa
Possa dar a volta por cima também

Atrás de estrelas

Além de nossa homenageada de hoje Ohanna nos brindou com sua criatividade.

Por Ohana Patiele

Era princesa e estava ficando velha. Não tinha mais escapatória, tinha que casar!
Então fizeram o baile. Entre o guerreiro bonitão que já havia namorado todas e o príncipe perfeito que só sabia falar de si mesmo, preferia a masmorra. Ela de vestido de bolo de aniversário, via o povo dançar alegremente e os jovens tentando lhe chamar a atenção. Tédio!
Resolveu sumir. Saiu à francesa e sentou no jardim. No meio da escuridão conseguiu enxergá-lo. Ele sentou do seu lado e conversou sobre as flores até elas murcharem. Sem perguntar nada, achou um lugar no colo dela e decidiu ficar ali.
Cantaram desafinadamente, dançaram sem música, trocaram segredos e ela gostou. Gostou não sei do que, mas sabia que aquele era o melhor.
Devia ser o jeito de dizer que gostava sem dizer nada, ou aquele jeito tímido de fazer travessuras ou porque não haviam máscaras.
Ou devia ser o tal do All Star azul que não combinava com a roupa.
Talvez porque a deixava sem fôlego cada vez que interrompia suas falas com beijos cheios de promessas.
Ninguém sabe, ninguém os viu mais. Dizem que foram atrás de estrelas.

O falso bonzinho

O poema atende ao pedido de uma pessoa  que pediu para não revelar o nome.  A í está, de acordo com as descrições repassadas por ela. Espero que goste.

Por Inez Freitas

Ele chega e te encanta
Fala palavras que deseja ouvir
Sempre cordial
É um anjo à primeira vista

Estabelece boas relações
E com elas jamais  brigar
Mas não se engane
É simulação da falsa bondade

Na realidade seu objetivo quer alcançar
E as defesas femininas destruir
Don Juan de Moliére
Exemplo clássico do falso bonzinho

As suas presas ao conquistar De lado as largava
Comprovando que falso bonzinho
Não tem época nem lugar

O falso bonzinho
Preocupa-se só consigo mesmo
Ganha sua  confiança
E jamais se envolve

Então, cuidado
Porque ao seu lado
Pode ele estar
Pronto para te valorizar
E depois largar.

A menina e o contador de “causos”

Atendendo ao pedido da leitora Joelza postamos sua crônica. Aqui os espaço é aberto. Se tiver alguma. Mande a sua também.

Por  Joelza Oliveira

Estava ela com a idade de cinco anos, quando começou a entender os acontecimentos que envolviam a aura misteriosa do vilarejo onde fora morar, desde o seu primeiro dia de vida. Lá, nas noites em que a luz da lua permitia, ouvia de um certo morador misterioso, conhecido apenas por Sargento Venâncio, a narração de alguns episódios, que por conta de sua inocência, guardava como verdades quase absolutas. Enquanto ouvia os “causos” imaginava os cenários, aonde ora vinha à sua mente, lobisomens perseguindo caçadores, que também eram seus vizinhos; ora outros vizinhos que em outros “causos” eram os próprios lobisomens; ora vizinhas, que na sua imaginação poderiam ser algumas das famigeradas matintas pereiras locais, que segundo os moradores, circulavam todas as santas madrugadas no povoado

Mesmo sendo uma menina, não tinha paciência com bonecas, e seu brinquedo favorito, nada mais era que uma pequena varinha de pescar. Quando sumia sem explicação, seus pais já sabiam onde a garota poderia ser encontrada: ou às margens do rio Piriá, ou na casa da índia Maria Gaia, que mesmo sendo de idade avançada, era com quem passava horas conversando sobre lendas amazônicas, a maioria delas, sobre os próprios ancestrais da amiga, ou ainda comendo lapial assado, peixe muito apreciado pelos indígenas que moravam nas redondezas no povoado, ou ainda aprendendo a fazer tipiti. Mas, na maioria do tempo, ou quase sempre, a menina ficava no sítio do contador de estórias sargento Venâncio, que apesar de aparentar ter uns 60 anos, sua idade era apenas mais uma incógnita, sobre ele.

No pequeno povoado de nome Japiim, cercada por uma imensidão de matas e rios, circulavam vários comentários, dando conta que o misterioso Venâncio teria ficado perturbado do juízo, por causa de choques elétricos, motivados por uma desobediência na época que servia ao exército, na capital do Estado do Pará.

Lugar de muitas estórias, nem mesmo as que Sargento Venâncio contava, era mais comentadas que aquelas, sobre a vida do próprio contador de “causos”, um enigma para todos, pois da vida dele, pouco se sabia, já que ninguém tinha coragem de entrar no sítio para verificar a veracidade de suas estórias, que tinham como cenário sua própria cabana. A menina sabia de quase tudo, a respeito de Venâncio, pois era destemida suficiente para ter tido coragem de entrar lá, por diversas vezes. Numa dessas vezes, fora mordida por um dos seus doze ferozes cães. Isso acontecera no inicio da amizade, pois depois os cães também se tornaram amigos da pequena menina.

Entre as centenas de estórias contadas à menina, numa delas, Venâncio dizia que tinha uma filha juíza e um filho médico, que segundo ele, moravam na capital. Para a menina, ele era meio “aluado”, mas sobre algumas coisas, ela tinha certeza que ele falava a verdade. Uma delas, por exemplo, tratava-se da criação de cobras, mucuras e lagartos, que faziam parte do seu cardápio e que ela já havia presenciado por várias vezes, os répteis e marsupiais sendo assados.

Além da fértil imaginação de Venâncio, ele tinha uma estranha e inexplicável mania de erguer construções de madeira com paredes de barro, nos mais diversos sítios que ele possui na localidade. Foi graças a esta mania que a fama de louco havia se espalhado por todo o município de Viseu. Alguns desses “prédios” tinham dois andares, sem nenhuma escada ou qualquer outro elo entre os pavimentos. Só ele conseguia passar do primeiro para o segundo andar, com a ajuda de uma espécie de andaime que ele carregava consigo, sempre que saia para visitar as construções, onde ficava uma semana em uma, uma semana em outra…

A menina bem que tentava convencer as pessoas da vila, dizendo que Venâncio não era louco, e sim criativo, mas ninguém acreditava nisso, apenas ela mesma. Ela muito tentou ajudar nesse sentido, mas a ela não davam ouvidos, em função de sua pouca idade. Alguns diziam que a criança também não era bem certa, pois para eles, quem fosse certo das idéias não acreditaria no amalucado contador de “causos”. Os pais da corajosa criança já haviam desistido de pedir para que a filha mantivesse certa distância do amigo.

O mais curioso é que mesmo sem credibilidade, ele sempre estava cercado muita de gente, que ouviam suas peripécias, onde ele mesmo era o personagem principal e de onde sempre saía vencedor, fosse nas lutas contra lobisomem, mulas-sem-cabeça, ou nas brigas com sucuris gigantes dos imensos rios da região. E a menina, no alto dos seus de 8 anos, começou a registrar em um caderninho, tudo que ia ouvindo.

Quando completou 10 anos, a menina teve que ir morar em uma cidade relativamente distante, para continuar seus estudos. No dia da sua viagem, seu amigo não se encontrava na vila, tinha ido caçar, e certamente voltaria com um novo estoque de “causos”. Ou talvez nem mesmo tivesse ido, mas na cabana ele não estava, a menina já tinha se certificado. Poderia muito bem ter se afastado de todos, pensara ela, já era sabedora de que em algumas vezes, ele já tinha feito isso: enfurnava-se em um dos seus sítios, para maquinar em sua mente, novas narrativas. Ela, como se estivesse prevendo algo, chorou copiosamente; parece que adivinhara que não reencontraria mais, seu grande amigo, pois mesmo com as notícias que vez ou outra recebia, por vários anos após ter ido embora, por idas e vindas da vida, o reencontro jamais acontecera.  A última notícia que ela teve sobre ele, foi justamente uma que informava que Venâncio estava tratando de um ferimento grave em um dos seus membros inferiores.

Anos depois, justamente em um dia muito especial, da vida da menina, agora com vinte e poucos anos, e morando em outro estado, ficara sabendo que ele teria morrido em um hospital de Belém, por complicações vasculares, causadas por uma trombose, em função de picada de uma de suas cobras de estimação.

No dia do velório, em meio a comoção com a notícia da morte de sargento Venâncio, notícia essa que havia se espalhado de uma ponta a outra do enorme município, dois desconhecidos adentraram o velório, que estava ocorrendo na igrejinha da comunidade. Seriam eles: juíza Telma Venâncio, e o médico Jeová Venâncio, os filhos que ele dizia ter e que ninguém acreditava. Assim, a população entendera que o misterioso sargento Venâncio não era assim tão lúcido, embora a menina não o considerasse totalmente certo, nem totalmente louco; nem tão mentiroso, como todos o julgavam. O fato é que até hoje lá “praquelas” bandas, ele jamais caiu em esquecimento. Na verdade, ele, assim como a índia Maria Gaia, passou a fazer parte do imaginário popular da pequena vila Japiim, pertencente ao município de Viseu, localizado no nordeste do Pará.

Quanto à menina, que àquela altura não era mais tão menina assim, não foi possível se despedir de amigo, pois sua formatura seria naquele mesmo dia, em um estado vizinho ao seu estado de origem, mas em memória do contador de “causos”, no íntimo do seu coração, ela dedicou sua conquista, nada mais justo, afinal de contas, foi por causa das narrativas de sargento Venâncio, que ela havia pegado gosto por escrever.

 

Olhar-te nos olhos

Por Inez Freitas

Quando pensava em ti
Era sonho de criança
Se tornando realidade
Sentia tudo e nada
Você era muito e pouco
Sonhos de criança
Se tornando realidade
Gostava disto

Hoje olhar-te nos olhos
É ter vergonha de mim mesma
É saber que me negastes
Que nada para ti represento
Que nada em você acrescento
Olhar-te nos olhos
É saber que os sonhos de criança
Se tornaram realidades de adultos
Olhar teus olhos
É morrer um poucos
Todos os dias de minha vida.

Portas fechadas não se abrem

Por Inez Freitas

Não gosto

Não quero

Não consigo

Não sinto

É fácil fingir, tão fácil

Minha verdadeira identidade

Ninguém jamais há de conhecer

Portas fechadas

Não serão abertas novamente

Não conseguiria

Porque no fim

Tornei-me sombra de mim mesma

Como diz o poeta:

“Do riso fez-se o pranto”

E é um choro que não seca

Mas fingir é uma arte e faz parte

Andar, ser, chorar, sorrir, brincar, brigar

E não viver.

Pensar que tanto sonhei

Que tanto amei

E nada realizei.

 

Se sonhei?

Por Inez Freitas

Se tive sonhos?
Eu sonhava sim!
Queria poesia em minha vida
Me perguntas se sonhei?
Sim e sonhei em ser sua amada
E dos teus sonhos a parte mais lembrada
Sonhei em ter você ao meu lado
Se renunciei aos sonhos?
Não é que….
De repente  o sonho acabou
Entretanto,
A lembrança do teu amor ficou.