Nunca deseje

Nunca deseje, nunca queira, nunca goste e jamais, sob hipótese alguma ame. Como já dizia Camões “amor é fogo que arde sem se ver,é ferida que dói, e não se sente”. Que me desculpe Camões, mas dói independente do amor – seja ele maternal, paternal, fraternal, amizade, que dirá o da paixão. O carnal nem se fala!!! São 38 anos de existência e neste período, muitos amores passaram. Grandes poetas e escritores também, Fernando Pessoa, Cazuza, Renato Russo, entre tantos que por aqui estão ao nosso lado.  E porque não eu?

Mas enfim, estes grandes poetas, devem ter sido ou são homens que passaram “pela ferida que dói sem sentir dor”, ou “você é boa demais para mim”. Não importa o motivo, e sim o que está em questão: o que levam as pessoas a se entregarem, ou pelo menos tentarem, com tanta ânsia a amar, seja lá qual o tipo de amor que for.

O amor pela poesia, pelo canto dos pássaros, pela vida, pela política. Se for pela política estou fora, mas pelo trabalho, por aquilo que escolhi – o jornalismo, me entrego de corpo e alma. E se for uma amizade, desde que sincera e verdadeira: sou capaz de pular da ponte da Amizade, aquela que liga Palmas a Paraíso.

Quantas perguntas sem questionamento e respostas sem perguntas. Estamos em pleno século 21 e vejo pessoas correndo de um lado para outro, sem tempo para se dedicarem a algo realmente especial, e que não conseguem expressar seus sentimentos. Pessoas que não conseguem dizer – vamos lá, juntos, tentar, conquistar, conseguir.

Vejo pessoas com medo de expressarem seus sentimentos, e quando encontram aquelas que têm coragem, logo dizem: lá vai a maluca, louca, estressada. Não acredito que seja bem assim. Creio que são seres humanos que apenas têm coragem de expressar aquilo que está descrito nos grandes poemas, como aquele em que diz “vem se amorenar na janela…. Se fizer algo, que digam que sou lunático, estou pagando”.

Os homens e mulheres deveriam ser assim, cada um pagar por ser lunático, mas pagar para sentir o amor, a confiança, o gostar entrar pelo menos uma vez pela sua janela e deixar aquecer o corpo, alma… Mesmo que o chefe tenha visto a mensagem de sua amada no celular e ache que isto esteja tirando a sua atenção e você termine com ela, porque o seu trabalho te consome, mesmo que depois venha a se arrepender.

Vale a pena acredite! Vale pelo menos uma vez “deixar a saudade subir a mesa”, e deixar que o diário da vida de cada um esteja cheio de satisfações e amor. Fernando Pessoa mesmo já dizia “o que vemos não é o que vemos, senão o que somos”. Então, o que somos? Lunáticos? Crédulos? ‘Workaholics’? Ou apenas pessoas, que na correria do dia-a-dia esqueceram o que são?

Acredito que Rosseau tenha indo mais fundo quando citou: “a espécie de felicidade de que preciso não é tanto fazer o que quero, mas fazer o que não quero”.  Minha conclusão: as pessoas não querem amar. Então, não têm a felicidade que desejam.

Quando se espera muito, não se obtém nada. As decepções e frustrações são maiores. Dói muito esperar, e dar a volta por cima não é simples e muito menos fácil, e enfim o mundo é complexo e vale a pena arriscar.

Aí vem a pergunta: Porque no início eu disse para nunca desejar, querer, gostar, e jamais, sob hipótese alguma amar? Bem, porque sou do século 21, e a correria, e neste caso as dores são maiores do que o desejo de amar, seja qual tipo de amor ele for.