
Do alto da ponte ela sabia que a hora estava chegando, e pensava: nunca poderá contar suas histórias engraçadas para os netos, pois não teve filhos.
Ela nunca terá paz na vida, pois foi essa vida que escolheu. E como já disseram nem pode reclamar, pois foi essa vida que ela escolheu.
Mas ela queria viajar, ter novas experiências, conhecer novos lugares, mas a vida que ela escolheu não permitia isso.
Sim, ela tinha inveja de quem realizou tudo isso, justo ela que nunca fora era invejosa antes, agora era, mas seu coração endureceu, deixou de ser feliz, tornou-se amarga.
Ela queria ajuda dos irmãos e companheiro, mas eles não a compreendiam. Mas ela sonhava que um dia isso pudesse acontecer.
Ela sonhava com um refúgio para ir quando tudo estivesse bagunçado em sua cabeça, mas os amigos tinham outras prioridades.
Ela sonhava tanto, mas sua realidade era tão dura e aos poucos ela foi perdendo a alegria, a gargalhada contagiante, a capacidade de fazer os outros sorrirem, mas aprendeu a fingir para que todo mundo achasse que ela estava bem e feliz.
Mas ela pode dar um fim a tudo, só depende dela e que faça rápido, indolor e longe de quem possa atrapalhar. E quem sabe assim continuar sonhando para sempre com tudo que desejou e não teve.
Autora: Maria Inez Freitas de Oliveira
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