
Daí ela responde que está e fica por isso mesmo. Mas você já parou para ver se os olhos dela sorriem quando te responde. Se o corpo vibra positivamente ao falar. Não ninguém faz isso. Daí quando ela corta os pulsos, se enforca, toma comprimidos para nunca mais acordar em seu próprio pesadelo, pula de um prédio ou usa qualquer outro artifício para fugir do que lhe aflige, todos se assustam.
Será aí, justo neste momento, que virão os hipócritas, aos montes perguntarem: mas era uma pessoa tão positiva, era tão alto astral, tinha uma vida tão boa, emprego bom, salário bom, marido ou esposa legal, filhos, casa, comida, o porquê de ter feito isso? O que aconteceu?
Aconteceu o que acontece diariamente, a pessoa morre por dentro, e vai sendo lentamente, nada mais faz sentido, nem amigos, trabalho, família, nada a impulsiona.
E para ela só existe aquela saída e mais nenhuma. Muitos irão dizer que é falta de Deus (queridos, não é mesmo); outros dirão ser uns covardes, e eu digo que não, pois há de se ter muita coragem de olhar ao seu redor e dizer adeus.
Até lembrei de um colega, cheio de vida, de alegria, vivia brincando com ele, fazendo piadas, mas, no fundo, não o conhecia, pois, no fundo, bem lá, no fundo, ninguém conhece ninguém.
Então, conheçam mais quem está por perto, não aponte dedos, talvez o seu dedo apontado para ele seja o último que ele irá ver.
Cuidado com que irá falar, talvez a sua voz seja a última que ele irá ouvir. Sim, eu sei que sou do tipo grossa, mas sempre tomo cuidado ao conversar com as pessoas.
Tento não chamar atenção na frente de outros, tento entender o que se passa com cada um, principalmente quando fui diretora de jornalismo, e pode não parecer, mas me preocupo com quem está ao meu lado. Não sou santa, mas tentei me educar. Sempre quis o bem de todos, até dos meus desafetos, mas agora:
CANSEI.
27.04.2023
Texto: Maria Inez Freitas de Oliveira/ Palmas (TO)
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