Não tenho um caderninho para as anotações, mas sim a Barsa inteira. Nesta Barsa escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém, e com certeza, provavelmente a minha própria vida.
Porque no futuro abrirei o meu livro da vida e lá estarão riscados os nomes das pessoas que já não fazem parte da minha vida. Lá ainda estarão riscados os nomes dos que ainda persisto que convivam comigo, mas não deverá ser por um longo tempo.
Na minha barsa está e estará escrito, descrito, cada derrota, mas também cada vitória.
Hoje, com 52, corpo de 100, mente de 500. Entretanto, um coração de adolescente, quando realmente sinto que sou verdadeiramente amada.
No meu livro da vida conterão pensamentos, lembranças e muito mais. Desde a tenra lembrança até hoje.
E quando paro um pouco para ler penso: será se venci mesmo?
Sim, venci, mesmo com todas as dificuldades, passando fome e odiando viver.
Venci, fui além da minha expectativa e de outros, sempre lutando, sem puxar-saco, sempre tentando tratar a todos como iguais. Uma bala para o zelador e outra para o chefe. Ninguém é melhor do que ninguém.
E sempre relembrando: alguns, como eu e milhares, tiveram que trabalhar mais, demonstrar mais interesse e acima de tudo, gostar do que faz, assim como gosto do que faço.
Posso odiar viver, mas amo a vida de quem amo, e se for preciso dou a minha por eles.
E acima de tudo jamais esquecendo que: a Inez cheia de vida morreu, agora ela só cumpre etapas da vida, porque assim ela sofre menos, quando esquecida.

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