Resenha dorama: Tudo Bem Não Ser Normal

Desde que comecei a ver doramas, sempre escrevo sobre os que mais mexem com os meus sentimentos. E talvez esta seja a mais difícil e foi a mais demorada, pois me identifiquei tanto com o personagem principal Moon Kang Tae. 

Tem tanto de mim nele. A dor dele foi a minha nos 16 episódios, assim como desejo a felicidade dele aos ver suas correntes cortadas, tanto as dele, como as da mulher amada, também seja um dia a minha felicidade.

Mas enfim, este dorama que vi foi recomendando por um homem, o que primeiro já me chamou minha atenção, já de início preconceituoso da minha parte, pois achava que era algo apenas de mulher. Aqui peço desculpas a ele e agradeço pela recomendação da série “Psycho but it’s Okay”, traduzido para português “Tudo Bem Não Ser Normal.”

No momento conversávamos sobe a dificuldade de levar em frente, o livro que escrevo e a vontade de matar os personagens e assim o finalizar. Foi quando ele recomendou o dorama e disse que a personagem, a escritora Go Moon Young se parecia comigo.

Eu me identifiquei de imediato com o drama. Tenho 52 anos, caminhando para os 53, e mentalmente me sinto com 25, assim como me visto e converso com as pessoas, como se tivesse essa idade. Sempre me questionei o motivo, e após conversar com algumas pessoas que assistiram à série, e mesmo as que não viram, chegamos a um senso comum.

Mas para aquelas que viram, eu sou o cuidador do dorama, que passou a vida inteira cuidando dos outros, que amadureceu cedo demais, tomou responsabilidades cedo demais para si e sempre fugindo, e que agora deseja apenas viajar e se conhecer, mas ainda não chegou o momento, ainda falta muito.

E estou caminhando para isto, e de certa forma, vestindo como desejo, desafiando os padrões da sociedade que impõe como devemos ser, eu esteja começando a ser feliz, mesmo que seja dando o dedo meio, deixando todo mundo horrorizado, sendo como realmente sou.

Mas vamos lá “Tudo Bem Não Ser Normal” conta a história de Moon Kang Tae (Soo-hyun Kim), um agente comunitário de saúde de uma ala psiquiátrica que não tem tempo para amar, e que passa também seu tempo cuidando irmão autista Gang-tae. Eles passam o tempo todo fugindo de uma tragédia do passado.

A outra personagem é Go Moon Young (Ye-ji Seo), uma sucedida autora de livros infantis que sofre de transtorno de personalidade antissocial e nunca conheceu o amor. Após se conhecerem, os três começam lentamente a curar as feridas emocionais um do outro.

O drama coreano, a exemplo, de todos que já vi, apresenta uma história bem amarrada entre três personagens, suas dificuldades e os transtornos psiquiátricos que possuem. Recomendo e acho que, atualmente é um assunto que deve ser discutido pela sociedade.

Pesquisando sobre os transtornos dos personagens no dorama, observei que dois deles são o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Transtorno de Personalidade Antissocial, sendo que eles acometem, respectivamente, 1% e 0,2% a 3,3% da população.

Por isso, super-recomendo esta série, mas também não deixem de prestar atenção às nuances das doenças mentais para não banalizar esses transtornos. Além disso, não devemos esquecer os riscos reais para quem os possui, para seus cuidadores ou outras pessoas.

O dorama conta com outros personagens cativantes e super interessantes que vocês irão se apaixonar.

Em tempo, ainda não resolvi o que fazer com os personagens do meu livro, mas se tiver curiosidade ele continua aqui no meu blog.