Uma década de aprendizados e transformações.


Aos 44 anos, falava alto, gargalhava e, acima de tudo, reclamava horrores diante dos desafios que tinha pela frente. Minha sinceridade sem filtro era para todos, e a insegurança me tolhia na hora de escolher roupas ou aceitar meu corpo, por ter vergonha dele.

Aos 54 anos sinto que sou outra pessoa, mas que ainda tem muito dos hábitos ruins. A minha intensidade se transformou em profundidade e tentativas de autoconhecimento. O tom da minha voz é mais baixo; as gargalhadas se tornaram raras, mas o sorriso e a satisfação nos olhos me denunciam, mesmo que, de vez em sempre, se tornem turvos, prestes a cair lágrimas, mas estou aprendendo a usar maquiagem e sempre digo: não chore, vai borrar a maquiagem.

A profissão não é a mesma e gosto do que faço. A sinceridade é um presente valioso que tento reservar para poucos.

Essas duas personalidades sempre estiveram juntas. No entanto, foi nos últimos cinco que a atual Inez se fez dominante.

Essa jornada de transformação está estampada em mim, sou colorida dos cabelos às unhas da mão. O visual acompanha a liberdade e acredito nisto, observando meu cabelo que passou do vermelho vivo para o Marsala (ou, às vezes, arrisco um toque mais Pink). A insegurança sumiu, dando lugar a roupas vibrantes.

E as minhas unhas são a assinatura final. Elas se tornaram uma tela de expressão: sempre vibrantes, cheias de cores e repletas de detalhes que contam minha história e minhas paixões. É nelas estampo o meu signo (minha essência), as estrelas (meus sonhos e a magia da vida), a caveira (minha rebeldia) e as borboletas (o símbolo máximo da transformação).

Eu não me perdi; eu me refinei. Os meus ícones no vestuário — a Borboleta, que celebra a transformação que vivi, e a Caveira, que afirma minha coragem contra o convencional — são a prova de que a vida é para viver intensamente.

Porém, continuo ‘moleca’ de sempre! Minha marca registrada de tirar fotos dando o dedo do meio não é uma afronta a ninguém. É simplesmente uma forma divertida e direta de mostrar ao mundo a minha identidade e quem eu sou.

Essa atitude inegociável de brilho e liberdade se reflete no meu nome nas redes sociais: Inez_quecível. É o meu lema de vida, pois sempre digo: se for para sair, quero brilhar ao lado do sol, se não for assim, nem saio. Eu não aceito menos e, principalmente, não aceito que as pessoas ditem regras na minha vida. É simples: ou me aceitam, ou nem se aproximam.

Aos 54 anos, celebro cada passo dessa jornada e toda a história da mulher forte, ousada e confiante que me tornei. Que venha o próximo ciclo, cheio de cor, autenticidade e muita alegria.