Desculpas e lamentos

Por Cidiane Carvalho

Desculpe, mas não é você. Lamento, mas não sou eu.

Eu não consigo me habituar com esse sentimento dentro de mim. Essa sensação de “acabou”. Eu já tive essa sensação outras vezes. Não foi a primeira e certamente não será a última. A vida é feita de ciclos. Nós os abrimos e fechamos de acordo com o momento em que estamos vivendo. Mesmo assim incomoda.

Mas dessa vez eu percebo que é diferente. É diferente porque, antes de acabar, o que eu vivi e senti foi completamente distinto de tudo que eu já havia vivenciado. Eu sonhei, eu encantei, eu voei. Eu amei!

Uma vez eu ouvi que, se pronunciássemos o verbo amar no passado, significava que não tinha sido amor. Porque o amor é sempre conjugado no tempo presente. Não existe conjugação no passado para o amor. Não é que eu discorde disso, até acho que faz sentido. Mas nessa minha imperfeição de humana eu me reservo no direito de dizer que eu amei, sim. No pretérito mesmo. Eu amei! Mais do que eu poderia esperar e o máximo que eu pude aproveitar. Eu amei da melhor forma que eu pude amar naquele pequeno espaço de tempo.

Mas agora acabou. Fato! That’s over, baby! The end!

E ainda assim dói.  Saber que não há mais o que fazer dói. Porque, ao mesmo tempo em que se quer reverter a situação, também quer deixar acabar por si só. É a saudade vir forte, uma vontade de dizer um oi, saber como anda a vida, pra saber se está bem. Só pra ouvir a voz. E, ao mesmo tempo, desejar que desapareça, que morra, que sofra como eu estou sofrendo, que seja feliz. É também não sentir mais nada, apenas dormência. Esse deve ser o sinal do fim.

Me desculpa se não é você. Da mesma forma que eu lamento por não ser eu. Gostaria que tivesse sido diferente. Mas a vida nem sempre funciona como queremos, gostaríamos ou planejamos. Ela simplesmente acontece. Às vezes nos atropela, machuca, deixa feridas e poeira sobre nosso corpo dolorido. Só nos resta levantar, passar mertiolate nas feridas, sacudir a poeira e seguir em frente mesmo doendo. Até sarar.

5 pensamentos sobre “Desculpas e lamentos

  1. Cidi, me vi no seu texto…e lembrei de um ditado popular, que é mais ou menos assim, “o que não tem remédio, remediado está”.
    Parabéns!! Vc é a grandona q escreve bem – orgulho da “Tia Jô”..
    bjos.

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