Portas fechadas não se abrem

Por Inez Freitas

Não gosto

Não quero

Não consigo

Não sinto

É fácil fingir, tão fácil

Minha verdadeira identidade

Ninguém jamais há de conhecer

Portas fechadas

Não serão abertas novamente

Não conseguiria

Porque no fim

Tornei-me sombra de mim mesma

Como diz o poeta:

“Do riso fez-se o pranto”

E é um choro que não seca

Mas fingir é uma arte e faz parte

Andar, ser, chorar, sorrir, brincar, brigar

E não viver.

Pensar que tanto sonhei

Que tanto amei

E nada realizei.