Três dias depois, Nuray já havia se desligado do emprego, vendido seu carro e suas joias. Havia decidido e poucas coisas restavam para acertar tudo.
Foram três dias cheios e intensos. Não teve tempo para chorar ou refletir sobre o passado, mas agora que estava mais serena, recordou-se do pedido de amizade de Baki numa rede social. Lembrou-se de ter recusado e suspirou aliviada, sentindo que o passado se acomodava em seu lugar. Em momento algum, um antigo amor faria trair suas convicções, sua ética e lealdade a si mesma.
Quanto ao desconhecido do semáforo, era como diria sua professora Kerime: ele havia gerado o encantamento e magia para que compreendesse o seu antigo amor. E agora ela sabia que não haveria volta, nem encontros de amores antigos que a tirassem do seu caminho, a correnteza jamais passava por debaixo da ponte duas vezes, ela seguia seu curso.
Nuray e Baki já tinham passado aquilo que deveriam e insistir após 16 anos não seria bom para os dois. O melhor seria que cada um seguisse seu caminho.
Nuray esperou Alev chegar do trabalho, as malas já estavam no táxi que havia solicitado. Quando o marido chegou, assustou-se ao ver a esposa arrumada para sair e perguntou o que estava acontecendo. Calmamente, ela pegou as provas da traição dele, as entregou, comunicando-o que estava indo embora. Nuray finalizou anunciando que o advogado dela entraria em contato. Que ele não fosse atrás, pois não a encontraria.
Ela falou firme, mas com o coração todo despedaçado. Não deu a Alev chances de dizer qualquer coisa, pegou sua bolsa e partiu. Solicitou ao motorista que a deixasse no aeroporto.
E de lá Nuray partiu para o exterior.
Ela ia ao encontro de uma nova vida, reescreveria mais um capítulo da sua vida sem olhar para o passado, aproveitando cada minuto para realmente ser feliz e sem trair suas convicções.
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