Ponto de vista de Repha 

Era um Simpósio de médicos e lá estava Repha, e se pudesse estaria em casa, que no momento estava vazia, afinal seus pais e sua esposa Lenny tinham se mudado para outra cidade e por lá deveriam ficar de dois a três anos em razão do trabalho de sua mulher, pesquisadora marítima. 

E por coincidência, a cidade era a terra natal de seus pais, então eles aproveitaram e foram com ela. Acontecera justamente no dia que conheceu aquela bela mulher: Nuray. 

Ela o instigou desde o primeiro momento, sua beleza, inteligência ou todo o conjunto que parecia ser perfeito. Entretanto, o que deixou Repha mais curioso foi vê-lá amassar o seu cartão assim que se despediu. 

Ele viu o ato dela, mas ela não percebeu que ele vira. E assim começou sua obsessão, amor, tesão por ela, ou seja, Repha não sabia o que sentia, mas sabia que o destino os reuniria mais uma vez e ela não seria um ‘casinho’ como tivera vários ao longo dos quase 12 anos de seu casamento. 

Relacionamentos sexuais apenas. Não queria envolvimentos complicados, apenas satisfação, já que o casamento fora conveniente, era uma mulher culta, sábia, mas fria na cama. E Repha tinha a certeza que era um canalha, mas era homem e tinha desejos que sua mulher não satisfazia.

Porém, desde que conheceu Nuray, há dois meses, não conseguia ir para cama com outra mulher. Seus pensamentos se voltavam sempre para ela, para o dia que a veria novamente e poderia satisfazer seus desejos. 

E este dia chegou, justamente neste Simpósio. De longe ele a viu e se aproximou, convicto disse que um dia ela seria dele. Nuray com um pequeno sorriso apenas perguntou se ele era casado, o que de imediato foi negado e desde aquele momento então, não se largaram mais. 

Quantas vezes ela fora a sua casa e nunca notara nada, mas o que ela não sabia que ele era meticuloso ao esconder todos os detalhes, que poderiam afasta-lá dele, uma vez que ele entendia que Nuray era diferente, jamais se entregaria tão facilmente como tantas outras que estiveram com ele.

Entretanto, o que Nuray não sabia também, é que por ela, ele arriscou e muito, pois não havia levado nenhum de seus casos anteriores para a residência que compartilhava com a esposa, pais e o filho. 

Mas ela era diferente, tinha que ganhar a confiança dela, gostava de vê-la sorrir, um sorriso tão fácil, aberto e gostoso quando provocada. Os olhos se fechavam, ela jogava a cabeça para trás e até gargalhava. 

Foram incontáveis noites juntos, escapadas do trabalho, fins de semana pelas serras, rios e florestas. Os dois tinham isto em comum, o amor pela natureza. 

As profissões eram diferentes, mas as discussões sobre variados temas eram intensos e acalorados, assim como quando estavam na cama.

Para Nuray, ele era um cardiologista renomado, que ao final do relacionamento havia ficado de coração partido. Justamente ele, que era considerado sem coração. 

Mas há três anos Nuray havia sumido, sem deixar pistas, e ele mesmo estando com ela por dois anos, percebeu que não sabia muito sobre a vida da mulher amada. 

Tinha conhecimento que ela era desconfiada, arisca, não tendo muita doçura ou meiguice no olhar, mas o sorriso e o sexo compensavam estas partes. Ele também sabia que ela jamais admitiria traição e ele a enganou, mesmo tendo a amado tanto.   

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