Quando não devemos confiar

"The Mona Lisa"Eu sempre fui uma solitária. Que eu me lembre desde criança. Eram raras as pessoas que se aproximavam de mim.  Eu não deixava, era arisca, desconfiada. Os motivos naquela época só a mim pertenciam e a quem se aproximasse de mim, já as tratava com grosseria ou apenas ficava quieta, recolhida em meu canto.

A adolescência e juventude não foram muito diferentes. Vivia recolhida em meu quarto nos finais de semana, lendo livros ou jornais, caso sobrasse tempo, pois desde que me entendo por gente, eu trabalhei, fosse lavando roupa de meus irmãos, cuidando de casa, na feira ou no bar do meu pai, ou quando estava na faculdadem que trabalhava horas a fio para paga-lá,  nem sempre sobrava tempo para estudar. Até hoje me admira que eu tenha conseguido o tão sonhado canudo.

No colegial me abri pela primeira vez, mas levei o primeiro baque. Como foi, o nome, a dor da traição até hoje não esqueço. Minha amiga, de dentro de minha casa, meu maior algoz. Me fechei novamente.

Aí veio o ensino superior e eu ainda parecendo uma ostra. De tanto me sentir ‘por fora’, resolvi me abrir na faculdade. Confesso que fiz boas amizades. Algumas como o Alexandre duram até hoje. E outras boas lembranças que mantenho contato como as duas Cris, a Eliane e o Fernando. Mas, nem tudo são flores e me ferrei novamente. Outra amiga, aquela que você dorme no chão para ela dormir em sua cama. Estas duas (colegial e faculdade) nunca entendi realmente porque fizeram isto comigo. Pelo que me lembro a vida delas era bem melhor que a minha. Não trabalhavam, tinham tudo à mão. Não tinham o que invejar em mim pra me detonarem.

Me fechei novamente. Foi quando vim embora para o Tocantins. Entretanto, não adianta sair do lugar de onde está para fugir dos problemas. Eles sempre te acompanham. Continuava arisca. De 1996 a 1997, apenas uma amiga: a Lúcia, que até hoje continua sendo amiga, creio eu, pois esta longe e não acompanha minha jornada. Aí veio a Mariá. Boa amiga, leal, fiel, mas nem tudo são flores e tive que me afastar dela por motivos alheios ao conhecimento dela e para não feri-lá.  Confesso que ela tem tentado retornar ao meu convívio, mas não consigo me abrir. A culpa não é dela é minha. Eu sou assim.

Teve o Tom, ótimo companheiro, boas farras, sempre me ajudou nos momentos que mais precisei. Mas nem tudo é perfeito, ele foi embora.

Aí chegou a Seleucia, de mansinho, com o jeito estranho dela, as suas duras verdades, que não me machucavam, apenas me dava forças para seguir em frente. Não sei como nossa amizade começou, mas dura até hoje. Nós duas sabemos que sempre temos uma a outra, seja pra pior, ou melhor.

Mas no meio do caminho, ela arrumou um companheiro e aos poucos fui me sentindo sozinha, sem ter com quem sair, conversar. Foi aí que cometi o meu maior erro:  me abri para três pessoas diferentes.  Eu gostava delas, de verdade. Abri minha vida, meus segredos, abri a porta de minha casa.  E eis a surpresa:  há menos de um mês, as três de uma vez só, me apunhalaram pelas costas, foram cruéis comigo, me caluniaram, espalharam boatos infudados.  Uma inclusive usou de minha boa fé para dizer coisas à uma pessoa que eu admiro, que gosto muito, posso dizer que amo, para falar coisas que eu não disse.

Minhas portas se fecharam novamente. E agora é definitivo. Não consigo mais confiar. Roubaram um pedaço de mim. Roubaram meus sonhos e aí quem vai devolvê-los? Ninguém.  Não tem mais volta. Quebraram o jarro e não adianta consertar. Mesmo remendado ficarão as lembranças. Não boas com certeza.

Pela minha vida passaram boas pessoas a Emmanuelly e o marido dela (Marcelo), Eva, Ricardo, Edna, Walrter Balestra, Renato e Ione,  Rosangela, Joel, Ana Rubia, Manu, Dona Eny, Rute, Mila (Alba), Ana Maria, Jânio, Hailna. Todas são especiais, além de muitas outras que não consigo lembrar o nome no momento e que me perdoem se deixei de cita-lás, porque de alguma forma eu as amo. Mas eu não mais a mesma.

Eu morri, me cremaram, enterraram minha cinzas no jarro quebrado, jogaram terra , cal e cimentaram. Tudo para terem a certeza que a Inez jamais voltará, assim como não voltará mesmo.

Metade

Sempre que leio os versos da música Metade, volto a mim mesma. É que eles me dizem algo que preciso entender, aprender. Nada é fácil. Principalmente segunda-feira, que me lembra que durante um tempo recebia um bom dia especial quase todos os dias. Os bom dias se foram. Quem enviava, não sei pra onde foi. Minha vida de pacata se tornou um caos. Minha culpa, de outro, de quem?
Preciso aprender muitas coisas, principalmente a não me apegar, não gostar, não querer. Mas enquanto a vontade de sumir e os que me conhecem e sabem pelo que passei nos últimos dias, sabem o que digo com isto, vou me consolando com fragmentos da música Metade  do Oswaldo Montenegro.
“Que as palavras que eu fale
Não sejam ouvidas como prece, nem repetidas com fervor.
Que essa vontade que eu tenho de ir embora, se transforme na paz e na calma que eu mereço.
Que essa tensão que eu sinto por dentro, um dia seja recompensada.
Porque metade de mim é o que penso  e a outra metade é vulcão.
Que o medo da solidão se afaste.
Que o convívio comigo mesmo seja ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que me lembro ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui e a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria pra me fazer aquietar o espírito
E que o seu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, a outra metade é cansaço.
Que a minha loucura seja perdoada porque metade de mim é amor e a outra metade também”

Sinceramente, não sei o que acontece comigo.

Me tornei uma pessoa impulsiva e, por conta disso, já não sei quem sou
Minhas atitudes não condizem com o meu “eu” interior e me sinto perdida.
O ódio é muito mais forte que o amor e já não sei como tratar as pessoas que gosto.
Quero uma fuga, um caminho novo, uma solução rápida! Quero o carinho verdadeiro, a sinceridade autêntica e o respeito devido…
Quero é ser feliz, sem me preocupar com a razão e os trabalhos.
Cansei da ética e da moral.
Cansei da vida certa.
Cansei da falsidade cotidiana…
Quero esquecer os problemas e fazer apenas o que todos fazem!
Quem sabe assim, não me encontro?!
A felicidade está lá fora me esperando, preciso encontrá-la o quanto antes!
Escrito em 2008. Acho que muita coisa não mudou desde então.


Eu sou…

Eu sou aquela que não acredita em fadas, duendes, gnomos, papai noel e muito menos neste ser chamado homem.
Passível de cometer pecados, é o único ser “inteligente” capaz de magoar de forma tão profunda que as vezes é impossível esquecer.
É o único capaz de matar, roubar, esquartejar, violar, destruir…….
E depois olhar para trás e fazer de conta que não foi ele.
Que o Pai maior tenha piedade dele, porque ele mesmo não tem consigo próprio.